Eles já saíram na Casa Vogue, já ganharam prêmios variados e, claro, não podiam ser ignorados pelo blog, uma vez que o escritório deles é de CONTAINER, essa maravilha que a gente tanto ama. O nome do escritório já dá o norte da linha adotada pelos arquitetos Aleksandro Almeida e Anselmo Oliveira Jr.: Atelier H2O. Segundo eles, o escritório surgiu com o intuito de desenvolverem projetos inovadores e criativos.
Ambos são formados em Arquitetura e Urbanismo pela FAU (São Judas Tadeu - São Paulo), atuam no ramo de constução e obras civis, incluindo arquitetura de interiores, buscam sempre fazer jus a palavra modernidade e o segundo, além disso, também produz vários trabalhos de arte, como esculturas e pinturas. Vide a grafitagem no exterior do escritório container, feita por ele.
O escritório container não é novo - e isso mostra que o material já vem sendo muito bem explorado no Brasil, ainda que com bastante vagar -, datando de 2011. Foi utilizado 1 único container e a área construída é de 46 metros quadrados, enquanto o terreno conta com 125 metros quadrados. Fica no Bairro Tatuapé, em São Paulo.
Eu bati um papo com um dos arquitetos, o Anselmo, por e-mail, e ele me esclareceu algumas questões. A começar por onde surgiu a ideia de uma construção usando container: O container nos encanta há muito tempo, desde a época de estudante. As possibilidades são infinitas. Assim que tivemos a oportunidade, não hesitamos em fazer algo que fosse de container. Queríamos algo que mexesse com a pessoas, que fosse sustentável, além de ser um local possível para se trabalhar, estudar e morar, de forma bastante inusitada.
Essa foi a primeira experiência do escritório com container, mas eles já possuem alguns orçamentos e propostas em andamento, de locais como residências, lojas, hotéis etc.
Claro que, como todo processo construtivo ‘novo’, eles também tiveram alguns problemas com o Prefeitura no momento da aprovação. Como bem ressaltou, não temos leis que facilitem ou ajudem a compor um contexto urbano bacana. Tudo é muito custoso. Mas os problemas deles, por sorte, foram menores que os meus.
Como o container não recebeu maiores alterações, o custo da obra se mostrou bem inferior à alvenaria comum. Há de se considerar, ainda, que os ganhos são muitos, principalmente na redução de desperdícios, praticidade e agilidade da obra.
A ideia de sustentabilidade também pesou muito na escolha não apenas do container, mas também outros tantos objetos que integram a decoração: Hoje vivemos em um momento que é inevitável não pensar nestas questões.
A reação das pessoas com a obra tem sido muito positiva. Recebemos ligações quase todos os dias agendando visitas. Uns somente para conhecer, outros com intenções futuras de fazer moradias, comércio e por aí vai.
Quanto ao talento pessoal do Anselmo, com artes plásticos, contou-me que desde muito pequeno mantém sua saúde mental trazendo a arte para sua vida. Durante muito tempo ele acreditou que o poder dessa servia apenas para si. Mas então descobriu que podia afetar a vida de outras pessoas, nem que fosse apenas gerando um sorrido. Foi então que passou a expor seus trabalhos e fazer grafitagens como a existente no exterior do container: A arte não é quem faz, é quem vê. A vida é como um traço. Eu não faço nada a arte me faz.
E a vontade de trabalhar em um lugar assim? Ô, inveja (mas da boa, se é que existe).
*Fotos de Guilherme Rebelo.





Michela, boa tarde. Você tem o contato deles ? Ficam no Bairro do Tatuapé, Zona Leste de São Paulo?
Ótimo post. Ótimo trabalho. 😉
Tem o link deles na matéria 😉