Quem viu nossa postagem sobre O que se deve saber antes de ter uma casa container já sabe que, infelizmente, não existe um financiamento específico para esse tipo de obra. Os Bancos ainda não vislumbraram esse tipo de construção, o que é uma pena. Então as alternativas não são muito boas, com juros elevados e prazos nada atrativos.
Ao ver essa postagem, o Fabrício Ferreira, leitor aqui do blog, escreveu-me dando uma alternativa. Pedi para ele fazer uma postagem, para compartilhamento com vocês, e ele resolveu dar uma verdadeira aula de economia. O assunto é tão bom e detalhado que vou dividir o conteúdo em três posts, até para facilitar a leitura. Mas, antes, vou apresentar o Fabrício para vocês.
Trata-se de um carioca, de 40 anos, que começou a trabalhar muito cedo (10 anos) com o pai. É formado em engenharia civil e administração, além de possuir um MBA em Gestão. Já trabalhou em cinco multinacionais (AmBev, Sony, Claro, J.Macêdo e Whyrlpool), já largou tudo para montar um restaurante em São Paulo e hoje é consultor em Planejamento Estratégico/Financeiro em uma grande corretora de seguros. É casado, possuem 2 filhas e estão grávidos, com previsão de nascimento em junho deste ano, razão por que decidiram construir uma casa para ter mais espaço e qualidade de vida. Como os terrenos no Rio de Janeiro são muito caros e raramente planos, os custos de adequação ficam também elevados e, por isso, procura métodos construtivos alternativos a alvenaria para compensar. Quando viu as casas em containers aqui no blog, foi paixão instantânea. Como bom curioso que é, já se informou em dezenas de sites sobre o assunto e até já tem uma planta baixa em escala, com medidas de todos os cômodos, posicionamento, cortes, limitações de empilhamento, balanço etc. Ao perceber que várias pessoas compartilham de seu sonho, mas não necessariamente do conhecimento financeiro para viabilizá-lo, resolveu compartilhar com a gente o que sabe. Segundo ele, a melhor alternativa é o Consórcio.
Bem, eu só tenho agradecer por isso e tenho certeza que vocês também, após verem a qualidade do material por ele disponibilizado.
Vamos a ele, então.
O que é o consórcio?
1 - Definição: No Consórcio, diferente de um financiamento (que o dinheiro é do banco e o banco empresta para o cliente cobrando uma remuneração chamada “Juros”), o dinheiro “emprestado” não é do banco. O Consórcio é como se fosse uma “vaquinha”, uma cooperativa. Vamos exemplificar: suponha que você queira comprar um carro no valor de R$ 10.000,00. Você não tem os R$ 10.000,00, mas pode economizar R$ 1.000,00 por mês. Você liga para outros 9 amigos e sugere que durante 10 meses, todos os meses, os 10 amigos depositem em uma conta no banco R$ 1.000,00 cada um. Ou seja, todo mês nessa conta vocês terão R$ 10.000,00 para comprar um carro por mês. Mas quem tem direito de comprar o carro primeiro entre os 10 amigos? Para decidir isso vocês decidem fazer um sorteio. Resumindo, todo mês algúem terá o seu carro, uns antes, outros depois, até que todos os carros tenham sido adquiridos no 10º mês.
2 - Taxa de Administração: Vamos supor agora que, ao invés de chamar 10 amigos, você tenha dado essa ideia no Facebook e 500 pessoas se ofereceram para participar. Bom, administrar essa conta bancária, conferir todos os pagamentos, aplicar o dinheiro parado na conta, comprar os carros de quem foi sorteado, cobrar quem não pagou e assim por diante dará um trabalho surreal para uma pessoa comum. Portanto, a Administradora (ADM) do consórcio faz exatamente isso: ela administra os recursos recebidos como se fosse em um condomínio e cobra um “salário” para administrar o dinheiro dos cotistas/consorciados, como se fosse um síndico. Essa taxa (porcentagem) costuma ser fixa, independente do prazo. Ou seja, quando a ADM diz que a taxa de administração dela é 15%, significa que, se o seu crédito é de R$ 10.000,00, o total que você pagará será de R$ 11.500,00 (10.000,00 credito + 1.500 TxAdm), dividido pelo prazo escolhido.
3 - Juros versus Tx Adm: Diferente do financiamento, que cobra juros, quando a ADM diz que a Tx de Adm é 15%, isso significa que o custo de administrar o grupo de consórcio será de 15% por todo o período do contrato, não importa se você escolheu 36, 48 ou 72 meses. Se a carta é de R$ 10.000,00 e a Tx de Adm é de R$ 1.500,00 (15% de R$ 10.000,00), você pagará os 11.500,00 divido em 36 ou 48 ou 72. O valor total da dívida não aumenta com o tempo. No caso do Financiamento, os juros são calculados pelo tempo de contrato, ou seja, os mesmos 10.000,00, a uma taxa de 1% ao mês no financiamento, custará R$ 11.957,15 em 36x, R$ 12.640,24 em 48x e 14.076,14 em 72x. Primeira conclusão óbvia: olhando o mesmo prazo, o consórcio sempre custará muito mais barato que qualquer financiamento. Segunda conclusão: Se hipoteticamente supormos que 15% é a “taxa de juros” do consorcio nos 72 meses, calculando essa taxa por mês, isso seria equivalente a 0,39% ao mês. Como atualmente nenhum financiamento em nenhum banco cobra menos que 2% ao mês e a Tx de Adm não muda porque a economia vai mal, ou porque a taxa selic aumentou, ou porque a inflação aumento, isso significa que hoje qualquer financiamento comparado com qualquer consórcio sempre será muito mais caro, mesmo que essa Tx. de Adm seja de 25%. Se a Tx. Adm for de 25%, em 72 meses isso equivale a 0,64% ao mês. Nunca vi nenhum consórcio cobrar mais que 27% de Tx.Adm. para consórcios imobiliários e mais que 20% para veículos. Quando você faz essa conta para financiamentos imobiliários, que os valores são altos, 100.000,00, 500.000,00, 1.000.000,00 e até mais, o comparativo de valor pago no consócio costuma dar a metade do prazo e menos da metade da parcela. Vejamos a simulação abaixo:
Valor: R$ 500.000,00
Taxa de Juros do Banco: 17% ao ano (Equivalente a 1% ao mês + Inflação = 1,72% ano mês)
Taxa ADM consórcio: 27%
Financiamento:
Prazo: 360 meses (30 anos)
Prestação: R$ 8.618,58
Valor total em 30 anos: R$ 3.102.690,40
Consórcio:
Prazo: 180 meses (15 anos)
Prestação: R$ 3.527,78
Valor total em 15 anos: R$ 635.000,00
Dá para ver claramente que, mesmo que a taxa de juros fosse a metade, o financiamento custaria no total algo entorno de R$ 1.500.000,00, ou seja, ainda assim mais que o dobro do consórcio.
É por isso que eu digo para todos os meus amigos e colegas, que me pedem para entender o consórcio, que, desde que entendi as contas acima, nunca mais aceitei parcelar nada, nem no cartão, nem empréstimo consignado, nem nada com o dinheiro do banco. Qualquer financiamento é dinheiro do banco e dinheiro do banco custa muito caro. Só parcelo minhas compras com dinheiro de pessoas, no caso, consórcio. É mais barato para mim e mais barato para os outros, pois juntos fazemos essa “vaquinha”. Depois de escolher o quero adquirir, primeiro procuro se existe uma carta de consórcio para tal (existem cartas de crédito até para compra de serviços, como viagens) e depois vejo se tenho o dinheiro para contemplar a carta por lance, mas isso fica para o próximo post.
Bem, vocês já viram o que os espera nos próximos dois posts, não é? Eu já estou aqui pensando em cortar os pulsos por conta dos empréstimos bancários que fiz. Então bora aguardar os próximos para não cair no mesmo erro que eu.
Quem quiser entrar em contato diretamente com o Fabrício, o e-mail é [email protected],







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